segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Depois

Depois de ver aurora boreal na África, Admirar o nascer de rosas no cimento, Viver a junção do céu e da terra, Perceber todos os tormentos Depois disso Como se vive uma vida normal? Como se esquece o sobrenatural? As coisas que vimos Que atingiram pontos Antes desconhecidos Como esquecê-las? Como esquecer o rosto dos mortos Primeira, Segunda, denominações O holocausto, o apartheid, Um abismo que chama outro abismo, como esquecer isto? Como esquecer os famintos, os portadores da aids, os que vivem de vômito, As feridas do mundo, Humanos a esmo, como esquecer disto tudo? O que está passando na televisão mesmo?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Nada como a chuva...

Pluie, chuva, rain, 雨, βροχή e eu,
apenas contando as gotas.
"Os Deuses só são Deuses por que não se pensam."

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Narcoevangelismo

A bata negra esconde
Apenas para quem não sabe procurar com fé
Aos que vivem a guerra no front
O famoso gesto de ralé

Ela sente o medo de seus pupilos
E sabe que a curiosidade é maior
Sabe que a procura de abrigo
As vezes toma caminho de rosa incolor

Ela sabe, a bata negra
O que fazer para aliviar a dor
Sabe de cor a letra
Dessa música de uma nota só

Ela os tem como dados
Que antes de lançar ela sabe
O resultado tão viciado
Quanto a noite é do fim de tarde

Os dízimos crescem
As indulgências são caras
As almas padecem
O que antes era bom agora acaba

Tudo remonta o momento
Em que o batismo foi comemorado
Junto com o entorpecimento
Parecia que o corpo havia sido lavado

"A vós dou minha bênção
Derramo em vossas cabeças
Água de papoula
Hóstia de cheiro
Vinhos de loiras
Leio palavras de puteiros
Nas minhas mãos sem vida:
O livro sagrado das mentiras"

A bata negra
Enxerga o muro de cima
Não vê, não ouve
As lágrimas de despedida