quinta-feira, 31 de julho de 2008

Desconstruindo

Temores despertam
medo de ser
de não ser
de morrer
e não entender
que o viver
não é ter
a vida é mais
meu trabalho é o que faço
não o que sou
não vivo para os outros, no fim
vivo apenas para mim
uma existência sozinha
é a minha
diferente de todas
mas igual em tudo
onde as primaveras passam
os jovens vagam
ao meu lado sem notar,
sem esperar
nada de ninguém
cada rosto sou eu,
cada face é minha,
mas cada vida, seu réu
a hipocrisia é uma escolha:
é o que pensam
podem mudar o mundo:
é o que julgam
antes de tudo somos lama
até sermos moldados
e a antiga chama:
olhamos seu apagar sentados
erramos o sal
consumidos pela fome
por algo banal.
Sou tudo que não vejo
cego por natureza e instinto
ouço os sentidos
não acrescento
apenas subtraio
tiro vidas,
sonhos,
sorrisos anônimos,
mas todos me tem muito
e pensam estar
acima de mim,
sou uma criança
com senso de humor caótico:
tiro os que fazem falta
os que viram poucas primaveras
os que nunca foram amados
os fracos, os bons
e abençoo os pobres de espírito,
medíocres, mortos em vida,
os que não sabem amar
os que vagam, sem pensar,
nasci do caos
e por isso sou o que sou
eu passo por você
e você continua sem perceber
no final, quando você se dá conta
não resta nada mais a fazer
a não ser dizer:
o tempo passou.


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